domingo, 26 de março de 2017

EXPOSIÇÃO RESPIRARTE


Rolê do LP


Taiko - Grupo Kiendaiko


"MENINAS DOS OLHOS" DE RONALDO VENTURA


Abertura de Exposições na Pinacoteca Municipal


Grupo de Capoeira Guiné Bissau




Sarau Taboão pra tod@s


O sarau acontece sempre no último sábado de cada mês.

sábado, 25 de março de 2017

para o meu amigo zé de gaia



por que mares andaste zé? quantos navios? quantas safras? quantos comandantes? quantos países? quantas vezes mestre? quanto aprendeste? a quantos ensinaste? pescador da torreira é pescador de todos os mares que da ria só embalo não ganho que baste no safar das redes não safas a vida alguém safará? as histórias muitas de teres sido e como tu tantos enchem as horas da espera de haver uma vaga de chegar a idade da reforma de partir ou ficar na ria não se faz vida pois não zé? (torreira 2009) https://ahcravo.com/2017/03/25/postais-da-ria-206

sexta-feira, 24 de março de 2017

até um dia

o arribar da mão de barca

tudo fica agora longe
próximas
as imagens as memórias
o sentir ainda

descrevo o que vejo
ou sinto quando olho
e escrevo porque

as palavras
crescem da imagem
como da terra a árvore

e eu
eu sou ainda
o que não vai haver

parado num tempo
em que fui demais
para não voltar a ser

espero-vos
onde a espuma
adormece na areia
e há sempre esperança
de haver mar

até um dia

(torreira; 2011)

https://ahcravo.com/2017/03/24/cronicas-da-xavega-195/

quarta-feira, 22 de março de 2017

para o menino bonito



o meu povo trabalha duro
não tem tempo para brilhantinas
ordenados milionários
viagens em classe executiva

o meu povo
os copos que bebe
saem-lhe do corpo e sabem a sal

o meu povo
tem direito a ser respeitado
por todos
em especial pelos gravatinhas
que não o conhecem
nem falam a sua língua

o meu povo
respeita todos os povos
porque todos os povos
são o meu povo

o meu povo
tem a sabedoria dos dias de parca paga
que reparte com as mulheres
e os filhos

o meu povo
está cansado de meninos bonitos
com muita escola e poucos princípios

o meu povo
convida o menino bonito
para um dia de trabalho


(torreira)

https://ahcravo.com/2017/03/22/maos-de-mar-16/

terça-feira, 21 de março de 2017

Embaixada da Poesia


Inteiramente a favor de sempre persistir neutro. Até mudar de posição. 
(Madrugada de 15 de maio de 2015)

Acho que a era das raspadinhas passou. Ontem fui tentar a sorte e não achei nenhuma à venda. Não, não é trocadilho... Foi real. Cheguei à lotérica e não havia uma raspadinha sequer colada no vidro do caixa ou pendurada na banca de jornal logo em frente. Simplesmente sumiram! – Mas vamos ao que interessa, ou nem tanto... Hoje no trivial banheiro matutino fiquei pensando em quantas estradas escolhemos ao longo de nossas vidas; quantos caminhos dentro dos caminhos, quantos atalhos, ruas desertas, muros altos e baixos tivemos que pular... E os posicionamentos? Alguns rápidos em escolhas difíceis, alguns difíceis em longas escolhas, os lugares que dividimos e amizades que escolhemos ou que escolhem a gente. Algumas escolhas que adotamos nas nossas andadas nessa roda gigante alucinante chamada vida (na verdade está mais para montanha russa) têm implicações eternas, cicatrizes agudas que nos lembram todos os dias de tais fatos (lembro-me que já escrevi um poema sobre isso) – (esse papo de roda gigante lembrou-me do Tivoli Park que eu ia quando guri). Só você conhece tão bem suas estradas passadas, seus prantos feliz e triste, seus gigantes e anões abatidos, seus problemas sem solução e os solucionados, seus sonhos mais íntimos e pesadelos bizarros, gostos e desgostos, agradecimentos e revoltas. Só você conhece essas coisas tão bem. Mas mesmo assim poucas pessoas realmente se conhecem. Andamos em círculos quando não aceitamos aquele arrepio na nuca, aquele medo de tal passo, aquela ausência da zona de conforto. Para cada temor que haja comedimento; para cada angustia que haja paixão. Havia anteontem um belíssimo desenho em um muro que seguia e acabava ao longo do meu quarteirão, até a minha esquina. Ontem me deparei com tudo cinza, pois pintaram por cima – não entraram no clima. Hoje irão demolir o tal muro para construir uma enorme oficina. É o fim da linha; é o rabo abanando o cachorro. É quase um truque do destino, uma peça pregada pelo tempo que tem pressa em cima do fadário etário do velhinho de outra era. Já era! A criação faz de tudo para estar absoluto para o criador; no dia seguinte tudo é hoje e o amanhã é amanhã, mas o ontem sempre será passado. Duas vezes as estradas se cruzaram, uma no inicio e outra no fim; por duas vezes a vi desvairada, antes do início e antes do fim. É loucura, mas nunca foi dito o inverso; é sonho, mas nunca se acorda para saber. Dou uma dentada no meu sanduiche no pão doze grãos com alface, rúcula, manjericão, camarões médios fritos, queijo ricota e um pouco de açafrão. Açafrão é extraído dos estigmas das flores, do sexo delas; tem gosto aprazível e é um excelente tempero... A meu ver. Pão de maluco às uma e meia da manhã. Vou pintar meu corpo para a guerra, levar minha melhor espada e preparar meu grito. Preparo também o palpite e aposto todas as minhas fichas no inimigo... Perdendo ou ganhando eu ganho. É estranho? – realmente é! Já ouvi falar em alma que fica vagando sem poder pertencer a lugar algum. Ficam presas na lama do limbo, sem esperança e destino... Apenas ficam. Amanhã vou atrás das raspadinhas lá pelas bancas do centro. Quem sabe por lá tenho sorte.

André Anlub

eu





existe o sonho e a realidade entre ambos numa linha apenas numa linha quase invisível quase nada existo eu existo eu existo eu eu (torreira; 2010) https://ahcravo.com/2017/03/21/os-moliceiros-tem-vela-253/

segunda-feira, 20 de março de 2017

o poeta é





seres tu o poema
poesia os teus dias

o poeta é

o mais são palavras
em busca da luz

(torreira; 2017)

https://ahcravo.com/2017/03/20/postais-da-ria-205/

domingo, 19 de março de 2017

música para um filho da mãe no dia do pai






hoje
filho da mãe
é dia do pai

espero que te lembres
os teus filhos lembrar-se-ão de ti
e tu por tabela do teu

quero-te dizer filho da mãe
palavras poucas
que muitas não conheces
sabendo da tua natural ignorância

conheces a palavra desprezo?
se tiveres de recorrer ao dicionário
vai antes a net é um hábito teu
é mais simples e por vezes  acerta
e não é um livro

o que não te explica
nem te explicará nunca
é o sentimento expresso pela palavra

o que sinto por ti
filho da mãe
não há computador que te diga
nem mesmo se levares com ele nos ditos

cuidado que para a outra vez
se a houver
pode o telemóvel estar desligado

com esta me despeço
adeus
e não há retrocesso


https://ahcravo.com/2017/03/19/musica-para-um-filho-da-mae-no-dia-do-pai/

sábado, 18 de março de 2017

juntos



partiram alguns
ficaram poucos
cresceram todos

eu lembro-me de ter sido
mais um
que se lembrem eles de
de mim

agora que lhes devolvo
o termos sido
para sermos de novo

os putos da ria
e o ti cravo
juntos


(torreira; 2012)

https://ahcravo.com/2017/03/18/postais-da-ria-204/